Eu estava no Museu Rodin e no centro de uma das salas vi essa escultura aqui:
| A Idade do Bronze |
Tinha um grupo em volta da estátua, acredito que fossem alunos de arte dos EUA. Me aproximei e pude escutar a explicação da professora sobre aquela obra específica de Auguste Rodin:
"Olhem essa pessoa, ela está em agonia. É como se em sua alma existisse algo incontrolável e proibido. Seu corpo masculino e seu pênis descoberto constratam com uma expressão corporal claramente feminina. É alguém que carrega um segredo e se desespera porque precisa contê-lo de qualquer maneira".
Não sei se a explicação da professora procede.
No entanto, a história da obra em si é interessante. Rodin a chamou inicialmente de "O Conquistado" ou "O Vencido". O
nome e a obra seriam uma homenagem de Rodin aos soldados que perderam a
vida na guerra franco-prussiana.
Seu extremo realismo fez com que os críticos acusassem Rodin de usar um modelo vivo para criá-la - algo muito mal visto pelos artistas da época. O "molde" teria sido um jovem belga chamado Auguste Neyt, amigo do escultor.
Rodin negou esse fato e para provar que era só fofoca mandou tirar uma foto do Neyt na mesma posição da estátua, uma jogada para provar que as duas coisas eram bem diferentes:
| Neyt nu em defesa do amigo |
Ninguém quis ver as fotos. Rodin já estava condenado por críticos que não compreendiam a inovação que ele estava propondo.
Não sei se a versão da professora está certa. Não há provas de que Neyt foi amante de Rodin ou mesmo pistas sobre uma suposta homo ou bissexualidade do artista.
Porém, é inevitável notar que a atitude de Neyt em tirar uma foto nu para defender o amigo é no mínimo um ato de extrema lealdade. E no máximo outra coisa mais complexa.
Finalmente - e fecho aqui o angustiante exercício da especulação - Rodin não poderia entitular a obra de "A Angústia de um Homossexual no Século XIX". Para ser aceito era mais simples dizer que foi algo feito para homenagear soldados, mas de qualquer maneira a manobra não funcionou. Depois das críticas/escândalo a escultura foi rebatizada e passou a se chamar "A Idade do Bronze".
Um nome ambíguo para uma obra de arte ambígua.
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